Historial

Nada é possível dizer acerca do povoamento no território desta freguesia nos princípios da Nacionalidade. Século XII-XIII, em que se fez a reconquista e se iniciou a repovoação Portuguesa.
Seja como for, a povoação de Aldeia da Mata deve a sua origem nacional à repovoação do termo devastado e semi-ermo do Crato depois de 1230, após a doação, com esse fim, por D. Sancho II à Ordem do Hospital, que aforou certamente este lugar, um dos mais próximos do castelo onde os freires residiam.
Ora na carta de doação figura esta localidade, certamente povoada, ainda que pouco e apesar do seu nome ”silvestre” - que vinha do passado, embora não muito remoto, o nome que aí figura é o de Mata de Alfeijolas ou muito parecido. Mais tarde caiu o determinativo “de Alfeijolas ” (que deve ser a designação arábica ou da dominação serracena, ou pelo menos influenciada pelos árabes) e agregou-se a Mata o vocábulo “aldeia” – Aldeia da Mata (sc. Da Mata de Alfeijolas).
A sua documentação mostra, com o nome antigo, que a localidade escapou de princípio, talvez em parte ao senhorio do Hospital: os termos de Ucrate iam ao ocidente do “sumum de Soor” (do alto Sor)”et exinde quomodo vadit ad Matam (de)Alfeijolas, e daí pelo “ordorium de Seda”(rio Seda).”
Ucrate nessa carta são bem expressivos de que só dela se trata, basta considerar que a carta de 1232 se refere a situação da Mata de Alfeijolas entre o alto Sor e o curso do Seda, exactamente a localização da actual Aldeia da Mata.

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A Concessão pelo conc. De Abrantes e com autorização de D. Afonso III a D. Estêvão Anes “de Sousa”, que era já no além-Tejo senhor de Alegrete, estava facilitada, pelo seu alto cargo e porque era seu genro, casado com a sua filha bastarda D. Leonor Afonso, e esta enviuvando dele, e sem descendência, herdou-lhe todos os bens, entre eles pois, a sua metade da Mata de Alfeijolas que ela, depois e tudo o indica veio a doar à Ordem do Hospital. Casada posteriormente com D. Gonçalo Garcia e já viúva e também sem descendência deste, fez doação da outra metade da Mata de Alfeijolas em 1288 à Ordem, o que se explica pela declaração expressa que fez de que tais bens, então cedidos, eram apenas os que “lhe acaecêrom del conde D. Gonçalo”, isto é, os que dele herdou.

Para a inteira possibilidade da doação de Aldeia da Mata, vale muito menos, o facto de hoje não se conhecer teor ou registo da doação, e só assim se explicar como é que toda a localidade aparece depois na posse material e espiritual da Ordem do Hospital.

É registo de nota que as composições feitas entre o chanceler D. Estêvão Anes e esta milícia mostram ainda que a Mata de Alfeijolas estava limitada, com pertenças bem definidas, e continha já população e agricultura e não era apenas o que fora e o seu nome indica uma mata ou floresta (mata de estevas e esconderijo de lobos).

A população progrediu razoavelmente e teve sempre população digna de nota relativamente aos lugares vizinhos. A igreja de S. Martinho deve ter sido fundada com o repovoamento, no séc. XIII, e como se trata de instituição da milícia hospitalária (séc. XIII-XIV), a paroquia de S. Martinho de Aldeia da Mata, ficou a ser do padroado da Ordem, razão porque ainda nos finais dos padroados a reitoria aparece na apresentação do grão Prior do Crato.

Aldeia da Mata

Necrópole Romana da Lage do Ouro, do século III d.C., de médias dimensões, servindo uma população rural, talvez do Vicus Camalocensis, a que uma lápide alusiva ao Deus Júpiter (Jovi Óptimo Maxumo) se refere, ao mencionar os “vicarii” dessa povoação que tem sido dada como possível percursora do Crato medieval. A primeira notícia da epígrafe foi dada por Frei Lucas de Santa Catarina em 1734.

Numa área de cerca de 10.000 m2 juncada de fragmentos cerâmicos (tegulae, imbrice) denunciando a feitura dos muros circundantes o aproveitamento de silharia granítica proveniente, ao que se supõe, de estruturas edificadas já destruídas. No mesmo local foi encontrada uma pequena lápide funerária com inscrição latina (depositada no Museu Municipal do Crato) e outra de maiores dimensões, em granito, de forma paralelipédica alongada, com 2,37m de altura, também com inscrição latina acompanhada no topo pelos símbolos cósmicos da roseta solar e da lua.

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Os mortos e a sua memória

Na religião dos romanos o culto dos mortos ocupava um lugar de destaque. Acreditava-se na vida depois da morte, mas para a alcançar era necessário que todos tivessem o seu túmulo.
Os mortos não podiam ser esquecidos e a sua memória tinha de ser preservada e honrada. Para isso havia festas anuais em honra dos antepassados desaparecidos. Visitavam-se os cemitérios, fazia-se uma refeição comum e oferecia-se comida e bebida aos mortos, em pratos e vasilhas que se colocavam junto às sepulturas.

Os túmulos eram locais sagrados e assinalava-se o seu local, para que os passantes respeitassem a memória de quem lá estava. Por vezes colocava-se apenas uma simples telha, semi-enterrada na cabeceira da sepultura, quem tinha possibilidades mandava fazer uma estela ou altar, de granito ou mármore, onde se gravava o nome do defunto, para que fosse recordado para sempre.

CAMIRA
MAXVM[I]
F(ilia). NA (norum). XX (viginti)
H.(ic). S(ita) IIST.S(it)
T(ibi). T(erra). L(evis)
“Aqui jaz Camira, filha de Máximo, de 20 anos. Que a terra te seja leve.”

MAXSI [MVS]
DOQVIR [I][F(ilins)?] NA (n)
NORVM.X[…]
H(ic).S(itus)[…]

“Aqui jaz Máximo, filho de Doquiro, de … anos”

(lápides sepulcrais romanas encontram-se no Museu Municipal do Crato)

26Na Laje do Ouro foram escavadas 136 sepulturas. Em algumas, os defuntos foram queimados vivos como se fosse um sacrifício aos Deuses, noutras os defuntos foram apenas enterrados. Nas covas eram sempre colocadas juntamente com as cinzas ou com o corpo, objectos diversos – brinquedos, pratos, vasos para beber e ferramentas, para serem usados na vida eterna.


Neste cemitério enterraram-se os habitantes de uma vila, que se situava a algumas dezenas de metros. Foi utilizado entre o século I e os séculos VI/VII depois de Cristo.

 

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